Edição 2010

As Organizações Não Governamentais (ONG) são as instituições que mais confiança merecem dos portugueses, enquanto o Governo e as empresas têm uma credibilidade mais baixa, conclui o Edelman Trust Barometer, um reputado estudo internacional efectuado em 22 países e cuja realização em Portugal o Grupo GCI inicia este ano, em parceria com a Ipsos Apeme. Pela primeira vez em 2010, o Edelman Trust Barometer inclui Portugal e evidencia, genericamente, um maior pessimismo no que se refere à confiança dos portugueses.

O Edelman Trust Barometer realiza-se há 10 anos nos principais países do mundo, por iniciativa da Edelman (o maior grupo de comunicação independente do mundo e do qual o Grupo GCI é afiliado) e procura aferir a confiança nas ONG, Governos, empresas e media dos principais líderes de opinião – consumidores entre os 25 e os 64 anos, licenciados, informados e com rendimentos mais elevados.

As ONG são as instituições em quem os portugueses mais confiam (52%). Governo (27%), Comunicação Social (32%) e empresas (34%) seguem a tendência global e europeia, mas com valores abaixo destas médias. A falta de confiança generalizada em Portugal só é comparável à da Irlanda.

Os sectores de tecnologias de informação, energia e alimentar são aqueles em que os portugueses mais confiam, não muito diferente das preferências dos europeus, que também colocam as tecnologias de Informação na liderança, seguidas da biotecnologia e do retalho. No fundo da lista, em Portugal, aparecem o sector financeiro (banca com 34% e seguradoras com 30%) e a comunicação social, que tem a confiança de apenas 29% dos inquiridos. Na média da União Europeia, o sector financeiro aparece no último lugar (33% para a banca e seguradoras) e a comunicação social ocupa o antepenúltimo lugar com 37%.

As multinacionais em que os portugueses mais confiam têm origem na Suécia (62%) Japão (61%) e Alemanha (61%), sendo que no fim da lista estão as multinacionais do Brasil (17%), Índia (16%) e Rússia (12%). De destacar que os inquiridos manifestam maior confiança nas multinacionais espanholas (39%) do que nas portuguesas (35%).

O Edelman Trust Barometer Portugal mostra que a fonte de informação preferida os portugueses são “pessoas como nós” (74%), um número que contrasta com a média europeia (48%).

As opiniões de académicos e peritos são muito valorizados pelos portugueses (69%), à semelhança do que acontece no resto da Europa (63%).

Entre as fontes de maior confiança para os portugueses estão ainda os motores de pesquisa online (56%), bem acima da média europeia (32%).

Os artigos das publicações económicas merecem a confiança da maioria dos inquiridos (55%) que, no entanto, confiam menos nas rádios (46%), nas televisões (37%) e nos artigos dos jornais generalistas (33%). Ainda assim, e por comparação com a média europeia, Portugal revela uma maior confiança nos artigos produzidos pelos meios de comunicação social.

As informações obtidas junto de amigos e colegas merecem a confiança da maioria dos portugueses (53%), valor superior à média europeia (37%).

Os portugueses confiam mais nas informações divulgadas pelas empresas, como comunicados de imprensa e relatórios (52%), do que os outros países europeus (média de 29%).

Contudo, os porta-vozes com maior confiança dos inquiridos em Portugal são os representantes de ONG (55%), muito acima dos administradores de empresas (36%) e de elementos do Governo (32%).